Antônio Nunes de Moraes Júnior


Antônio Nunes de Moraes Júnior, mais conhecido como “Toninho Nunes”, um dos políticos mais populares de nossa cidade, acreditem: nasceu em São José dos Campos, no último dia do ano de 1921, em plenas festividades do réveillon.

Seu pai, Antônio Nunes de Moraes foi casado em primeiras núpcias com Maria Dulzinda de Moraes. Desta união, além dele, o mais velho, nasceram Lygia e Odilon. Toninho ficou órfão de mãe ainda cedo, vindo seu pai a desposar-se da professora Maria Adelaide Porto, união que deu a ele mais uma irmã: Ana Eugênia

O velho Antônio, nascido em Conchas, inclinado profissionalmente para a área de saúde, tornou-se enfermeiro e, como tal, foi responsável por postos de saúde nas cidades de Cubatão, Taubaté e São José dos Campos. Veio para Jacareí na década de 1930 para trabalhar no “Preventório”, lugar destinado a cuidar de filhos de portadores de uma doença chamada hanseníase, mais popularmente conhecida como lepra.

Toninho Nunes estudou em Jacareí e formou-se técnico agrícola pela Escola Técnica da cidade de Espírito Santo do Pinhal. Em 1942 foi aprovado em concurso público da Secretaria de Agricultura e passou a organizar as escolas práticas do Estado. Anos depois tornou-se professor de avicultura na Escola Agrícola Cônego José Bento, a tradicional “Escola Profissional”.

Em Jacareí, também em 1942, casou-se com Dona Carmélia de Lima Moraes. Teve um único filho: Antônio Nunes de Moraes Neto.

Toninho Nunes e Dona Carmélia

Ainda recém-casado, tornou-se reservista do Exército, integrando a Força Expedicionária Brasileira (FEB), como soldado do 1º Escalão de Embarque e de Combate, infantaria que lutou bravamente na campanha na II Guerra Mundial na Itália. Posteriormente, Toninho foi vinculado ao Exército, alçado ao posto de 2º tenente.

 

 

Retornando do conflito, contrariando seu pai, entrou na vida política, apoiando o professor Job Aires Dias nas eleições para prefeito, o qual saiu derrotado. Deste então, juntamente com Aldo Lopes da Costa, Jair Ferraz e Afonso Rosa da Silva – Os Quatro Mosqueteiros – criou um movimento renovador de oposição.  Se isso foi bom para a cidade, não podemos afirmar. Registre-se somente a coragem daqueles jovens políticos que iniciaram uma campanha contra uma dita oligarquia representada pela família Máximo: “o tostão contra o milhão”.

 

Toninho Nunes, Afonso Rosa, Jair Ferraz e Aldo Lopes da Costa

Assim, aos poucos, foi tornando-se um político sagaz, elegendo-se vereador nas legislaturas de 1956/1959 e 1964/1968 e prefeito em dois mandatos: 1960/1963 e 1973/1977.

Muitas foram as marcas deixadas em suas administrações, principalmente obras como a reconstrução do Mercado Municipal, a construção da antiga Estação Rodoviária Presidente Kennedy, a ponte sobre o Rio Paraíba (São João), os prédios do Fórum e do Corpo de Bombeiros. Além disso, mandou asfaltar a Variante Getúlio Vargas, as Avenidas Nove de Julho e Senador Joaquim Miguel e a Rua Quinze de Novembro.

O arquiteto Ney Marcondes e Toninho Nunes

Em suas gestões foram criados o SAAE, o Serviço de Assistência Social e a Guarda Municipal. Áreas foram desapropriadas e deram lugar ao atual SIM (Sistema Integrado de Medicina) e ao Parque dos Eucaliptos. Outras foram doadas para a construção da Delegacia de Polícia (cadeia na Av. Siqueira Campos), Casa da Amizade do Rotary Clube e JAM.

No entanto, ainda hoje, muitos o enxergam como um político polêmico. Janista convicto, muitas vezes era visto com uma vassourinha pela cidade, símbolo do governo Jânio Quadros. Noutras, como um político provocador, recebeu como hóspede oficial, uma araponga que ganhou de um amigo de Ubatuba, ave tropical que tem um canto que parece uma batida numa bigorna. Toninho a mantinha na sacada de seu gabinete simplesmente para atormentar a oposição estabelecida na Câmara Municipal, do outro lado da rua.

Mesmo depois de morto, recaem em seus ombros, o “corte” no casarão dos Quatro Cantos” para a retificação da Rua Quinze de Novembro, prédio que está desocupado desde 2013, com riscos ainda maiores de destruição. Culpa maior ainda lhe é atribuída: um suposto descaso numa possível possibilidade de recuperação do antigo prédio do Colégio Antônio Afonso, o qual acabou desabando devido à precariedade de seu telhado repleto de infiltrações. Buscando resguardar sua memória, seu único filho, através de pesquisas e entrevistas, ainda hoje procura demonstrar a inculpabilidade do pai, falecido aos 87 anos em 18 de agosto de 2009, quatro meses antes de sua esposa Carmélia.

Neto e seu pai, Antônio Nunes de Moraes Júnior

One Reply to “Antônio Nunes de Moraes Júnior”

  1. Me lembro muito bem do canto da araponga do prefeito Antônio Nunes. Eu era garoto naquela época e trabalhava como auxiliar tipográfico no jornal O Combate, cuja redação e oficina, então localizada na R. José Bonifácio, fazia fundos com a Câmara Municipal. Era um canto estridente e insistente que nos desconcertada em momentos que precisávamos ter toda a atenção no trabalho. É impossível esquecer daqueles momentos nos anos de 1973/1974.

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