Não é de hoje que a Prefeitura de Jacareí realiza transações imobiliárias com a Mitra Diocesana de São José dos Campos. No mês de dezembro de 2020, após três anos de tratativas, projeto de lei proposto pelo Executivo e aprovado pela Câmara Municipal, concretizou a permuta de alguns imóveis, entre outros, o terreno da Igreja Nossa Senhora de Guadalupe, no Jardim das Indústrias, e o terreno da Casa de Passagem, na Avenida Lucas Nogueira Garcez, que passaram à posse da Mitra e Prefeitura, respectivamente.
Desta feita, nesta semana circularam rumores sobre uma nova tratativa de permuta, a qual causou certa surpresa naqueles poucos que tiveram acesso à informação: a troca da Capela de Nossa Senhora do Rosário, também dedicada à São Benedito, templo que remonta ao início do século passado, pelo imóvel na Rua Treze de Maio nº 165, local que já abrigou a Secretaria de Assistência Social, a Biblioteca Municipal e até a Junta do Serviço Militar (Tiro de Guerra). Por ora, ainda em “conversas preliminares”, não se sabe se outros imóveis estariam envolvidos na negociação ou quaisquer outros tipos de acordos.

A Capela do Rosário há vários anos passa por um processo de recuperação, estando quase sempre fechada ao público. Seu restauro custaria milhões. A ideia de a municipalidade assumir a responsabilidade por sua recuperação e com qual intuito (outro museu?) não se apresenta coerente para uma cidade que ainda não conseguiu recuperar, ou ao menos preservar, outros prédios históricos sob sua responsabilidade, como a Capela de Nossa Senhora dos Remédios, tombada pelo Condephaat – Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, que corre sérios riscos de desabamento, como também o casarão dos Quatro Cantos, datado de 1901 e tombado por lei municipal, cedido pelo Governo do Estado, sem uso desde 2013, ainda durante a gestão do prefeito Hamilton Ribeiro Mota.


Quanto ao imóvel na Rua Treze de Maio, diante da proximidade com a Paróquia e Igreja da Imaculada Conceição (Matriz), o interesse é plenamente explicável. Não se entende o porquê de a Prefeitura abrir mão daquela propriedade, quando ainda precisa locar prédios para abrigar órgãos públicos, como os cartórios eleitorais, o Juizado Especial Cível e a Vara da Fazenda, dentre outros.

O Site de Jacareí buscou informações junto à Paroquia Imaculada Conceição. Após várias mensagens e recados, o pároco local contatou este Portal mas negou-se a prestar detalhes sobre a negociação. Foi além: apesar de não confirmar ou simplesmente negar a suposta permuta, ainda “não autorizou a menção a seu nome tampouco da referida Paróquia”, numa possível tentativa de inibir a divulgação de informação de relevante interesse público.
A Prefeitura Municipal embora contatada, também não confirmou qualquer transação. Tanto a Subsecretaria de Comunicação e a Secretaria de Administração, responsável pela administração dos imóveis públicos, informaram que “esse assunto da permuta” deveria ser tratado com a Secretaria de Governo, a qual não nos retornou em tempo antes da conclusão desta matéria. Explicações, se vierem, somente após o Dia de Finados.
O Site de Jacareí, apesar da falta de clareza nas informações obtidas, decide levá-las aos jacareienses, para que estes manifestem seu apoio ou repúdio à negociação, pegando emprestado um termo jurídico: “fumus boni juris”, ou seja, “onde há fumaça, há fogo”.

Jacareiense nascido em 1964, é pós-graduado em Negócios em Mídias Digitais, bacharel em Ciências Econômicas e Servidor do Judiciário Paulista. Ativo pesquisador da história da cidade, é autor do “Dicionário Ilustrado da Cidade”, criador do “Blog de Jacareí – Uma Viagem pelo Tempo” e do “Site de Jacareí – A Cidade em um Clique” além de administrador de grupos no Facebook como “Memórias de Jacarehy”, “Jacareí – Craques do Passado”, “Jacareí para o Mundo” e “Pelas Ruas de Jacarehy”, ferramentas virtuais de comunicação que permitem o aprendizado e o compartilhamento de histórias com seus mais de 60 mil seguidores.

